Yôgacine - Harry Potter

01-10-2017 18:26

ÔGACINE - HARRY POTTER E OS TALISMÃS DA MORTE (I E II)
Que melhor programa poderíamos ter para um serão de sexta-feira à noite se não ver um filme entre amigos com direito a pipocas?
Mais uma vez, esta sexta-feira dia 29 de Setembro, estivemos reunidos num evento inserido nas comemorações do 3.º aniversário no Espaço Cultural Kalí. Um espaço acolhedor e muito especial para mim, pois foi onde comecei a praticar Yôga, onde tive o primeiro contacto com esta ancestral metodologia com a qual me identifiquei e reconheci como o meu caminho.
O filme Harry Potter e Os Talismãs da Morte (I e II) é um filme fantástico e enigmático, onde a linguagem de duplo sentido da qual tantas vezes falamos, é usada a cada momento. O próprio filme pode ser visto como um filme infantil sobre feiticeiros ou como algo muito mais profundo para que tenha um olhar mais atento. A presença do Mestre João Camacho foi essencial para vermos e conseguirmos compreender a grandeza deste filme, ao fazer-nos uma introdução preciosa e depois tecendo os comentários finais sem os quais teríamos visto mais um filme para crianças.
O culminar das grandes aventuras de Harry Potter, o filme onde são desvendados os segredos mais bem guardados de Dumbledore, personagem esta que morre neste episódio, morto por Snape, aquele que parecia ser aliado do lado negro era afinal espião de Dumbledore e em quem este mais confiava, confiando-lhe até a própria morte, pois Snape manteve-se sempre fiel ao seu secreto amor pela mãe de Harry e o amor é a força mais poderosa do universo, foi também o amor que protegeu o pequeno Harry do ataque que matou os seus pais e o continuou a proteger. Dumbledore deixa a Harry e os seus companheiros a quase impossível missão de encontrar as Horcruxes de Voldemort, objectos que continham em si, cada um, uma das sete partes da alma daquele que todos nós sabemos, (numa clara referência ao numero 7) sendo que a última Horcruxe era o próprio Harry Potter. Com a morte de Dumbledore e tendo Harry chegado aos 17 anos, já não está seguro em parte nenhuma enquanto Voldemort viver.
Neste seu caminho o feiticeiro vê-se muitas vezes sozinho e sem saída, é uma constante busca do seu centro, a herança deixada pelo Prof. Dumbledore aos 3 companheiros que à partida pareciam ser apenas pequenas recordações, revelam-se ajudas fundamentais nesta missão. Por exemplo ao Ron, que previsivelmente seria aquele que desistiria de continuar a caminhar sem saber qual o destino, foi deixada uma luz que ilumina o seu caminho, mas não é apenas uma lanterna, tinha a propriedade de o guiar fazendo-o ouvir a voz de Hermiony quando se afastou, quando se perdeu, como se de um fio de Ariadne se tratasse e guiou-o de volta para junto dos amigos.
Uma das mais belas partes do filme é o conto sobre os 3 irmãos e as relíquias da morte, que não só nos mostra que se formos discretos quase tudo nos é permitido, como que os contos passam informação.
Na busca pelas Horcruxes, apercebemo-nos que o convívio com aqueles objectos trazem à tona o lado negro de cada um, os seus medos, os seus anseios, os ciúmes… o que cada um tem de pior revela-se em contacto com as Horcruxes, mostrando que todos nós temos um lado negro, precisamos dos dois lados para sermos completos e precisamos também de aprender a lidar e controlar esse lado, ao convivermos com energias opostas somos invariavelmente influenciados por elas, criando um conflito dentro de nós mesmos. O mesmo que acontece no choque de egrégoras.
Quando finalmente Harry se encontra com o seu contrário na floresta pronto para morrer leva consigo a pedra filosofal. Lord Voldemort usa a varinha das varinhas para o matar, mas esta só obedece ao seu proprietário que neste caso é o próprio Harry Potter, facto que Voldemort desconhecia pois a varia pertencia a Dumbledor. Julgando-o morto transporta-o até Hogwarts a fim de anunciar a sua vitória. É Neville o mais inocente dos personagens aquele que parecia mais frágil, quem se levanta e enfrenta a multidão, quem tem a força para continuar a lutar por Hogwarts do lado da luz, mesmo que Harry Potter tenha morrido. É também ele quem destrói a Horcruxe Nagini, a serpente, com a espada dos Gryffindor mostrando não só que é merecedor de a usar, mas também podemos interpretar como uma associação com o controle da kundaliní shaktí. Mas Neville ensina-nos também que nunca devemos menosprezar aqueles que julgamos serem mais frágeis ou mais inofensivos, pois muitas vezes, são precisamente esses os mais fortes e mais sábios.
No final temos a tão esperada luta final entre Harry Potter e Voldemort, entre o bem e o mal e percebemos que são as duas faces de uma mesma moeda, que nenhum dos dois é um ser completo sem o outro. Mas antes de Harry decidir voltar a viver para combater Voldemort, encontra Dumbledor no Limbo entre a vida e a morte que lhe diz: “Hogwarts ajudará sempre quem merecer”, não diz que os professores de Hogwarts o irão ajudar, ou os alunos, nem mesmo os professores e alunos diz que “Hogwarts” irá ajudar. Reforçando a ideia de Egrégora sempre presente durante todo o filme. A força da Egrégora que soma e multiplica a força de cada um.
A luta termina quando Harry se lança do precipício levando Voldemort consigo, abraçando-o numa luta até à morte.
Harry Potter o rapaz que sobreviveu, o rapaz que morreu e voltou para se tornar um ser completo.
Sádhika Rita Fernandes