Yôgacine - A vida de Brian

06-07-2017 19:59

YÔGACINE - A VIDA DE BRIAN
Reunimo-nos na passada sexta-feira, no Ashram Pashupati para mais uma sessão de Yôgacine, desta vez para vermos o filme A vida de Brian. Uma sátira à época de Jesus Cristo que combina comédia com temas religiosos e que proporcionou a todos os presentes momentos divertidos e muitas gargalhadas. Conta a história de um homem nascido na mesma altura que Jesus Cristo e que ao longo da vida, desde o seu nascimento, é confundido com o Messias o que leva Brian protagonizar animadas peripécias acabando por ser também ele crucificado.
Através do humor este filme passa mensagens relevantes e consciencializa-nos para problemas que eram daquela época mas que continuam a ser bastante actuais. De forma irónica expõe a questão da alienação em massa da sociedade, que podemos interpretar tanto à luz da esfera religiosa como da política. A ignorância, a falta de iniciativa, de autoconfiança e de coragem levam-nos a uma necessidade de seguir um líder, a idolatrar personagens da vida real. Reduzindo ao absurdo, a certa altura no filme, uma multidão passa a adorar a sandália que caiu por caso do suposto Messias, isto mostra como as pessoas podem ser carentes, como precisam de bengalas que deem sentido a uma vida rotineira desprovida daquilo que nos faz acordar. Quando não temos capacidade para decidir nem coragem para assumir os nossos próprios ideais, assumimos os dos outros, retirando assim responsabilidade dos nossos ombros, este é o caminho mais fácil, mas é também um caminho doloroso, pois mantém a população passível de ser controlada, mantém a população reprimida!
No Yôga, por outro lado, aprendemos a ter a coragem do leão, desenvolvemos em nós a capacidade de sermos nós próprios, de termos mais força, de sermos autossuficientes, de sermos mais conscientes... e isto é ser mais livre. A propósito deste tema, aproveito para partilhar convosco um texto bastante interessante extraído do blog de Shri De Rose:
"Vamos criatura!
Você já parou para pensar que suas ações são meros reflexos de um condicionamento social que a escraviza a um comportamento estereotipado, comportamento de rebanho que caminha para o matadouro, infeliz, mas resignado?
Já meditou no fato de que você não usa o seu livre arbítrio nem um pouco e que você pensa, fala, sente e age de acordo com aquilo que os outros esperam de você?
Onde está o ser inteligente que se distingue do resto dos animais pelo seu poder de volição e de decisão? Ele está manifestado em você? Vamos, sinceridade. Você faz o que quer – ou, ao menos, atreve-se a pensar o que quer? Ou pensa aquilo que a família, a sociedade, os amigos, as instituições querem que você pense?
Não, não pare de ler. Ou só vai ler as coisas amorosas que eu escrever? Enfrente pelo menos um pedaço de papel que lhe diz na cara que você não se assume. Que você tem sido tão influenciável pela opinião dos outros, que está se tornando uma pessoa sem vontade, sem personalidade.
Não estou zangado, não. Estou é tentando sacudir você tão bem que talvez consiga despertar. Afinal, você é inteligente e sabe a enorme variedade de doenças físicas e psíquicas que advêm da frustração, da auto-mentira, da infelicidade crônica do dia-a-dia sem sentido, do stress causado pela rotina medíocre e mesquinha.
Você já achou o sentido da sua vida?
A vida é dinamismo, é movimento e não estagnação. Estagne-se pelo medo de agir e se deteriorará como as tantas esposas e mães que vivem frustradas e arrependidas por não se terem deixado arrebatar por uma grande causa… e hoje trazem no semblante os vincos indeléveis da infelicidade incurável, essa mesma infelicidade que não hesitam em oferecer como herança malsã às suas filhas para que vivam as as mesmas pressões, mesmas depressões, as mesmas conversas, as mesmas fofocas, a mesma impotência para um orgasmo pleno ou para uma opinião própria, as mesmas lamentações, as mesmas lágrimas…
Você tem um compromisso cósmico agora! Mas tem, também, a liberdade de não aceitá-lo. O karma lhe deu a liberdade de opção que constitui a chave mestra de um fardo chamado responsabilidade. Só que, ingrata, você recusa essa dádiva e se obstina em não querer assumir a responsabilidade da decisão.
Você se acomoda indolentemente na almofada fofa da inércia. Simplesmente por medo de enfrentar uma mudança.
Já parou para pensar na idade que tem? Não acha que já está na hora de ter um pouco mais de maturidade?
Vamos! Utilize uma pontinha de sinceridade e responda: essa é a vida que você queria? Ela a realiza? Você já pensou como é que vai ser o seu futuro se tudo continuar nessa covardia e nessa acomodação?
Vamos, Criatura! Aventure-se, corra o risco que a vida é isso. A vida vale a pena quando se tem uma boa causa pela qual se possa sorrir ou chorar, pela qual se possa viver ou morrer."
Texto extraído do blog do Mestre DeRose em https://www.metododerose.org/blogdodero…/…/vamos-criatura-2/
SwáSthya!
Sádhika Rita Fernandes