Visita de estudo - Casa Museu dos Patudos

13-07-2017 19:40

A primeira visita de estudo deste Yôga em férias foi no passado sábado, a Alpiarça, mais especificamente ao Museu dos Patudos. Um passeio que representou o fim de um ciclo, um ciclo que tinha iniciado com os descobrimentos e que terminou com o regime Repúblicano. E daí, o Museu dos Patudos, casa de José Relvas, político, diplomata, estadista, lavrador, colecionador de arte e músico. José Relvas juntou-se ao Partido Republicano Português em 1907, participando em manifestações e comícios com o objectivo de derrubar a Monarquia. Um golpe militar orquestrado também pelo Almirante Cândido dos Reis e pelo Dr. Miguel Bombarda, ambos mortos ainda antes do golpe, que continuou a ser liderado pelo Tenente Mendes Cabeçadas. Com a fuga de D. Manuel II, foi então proclamada a Instauração da República da janela da Câmara Municipal de Lisboa, por José Relvas, a 5 de Outubro de 1910, assumindo este depois o cargo de Ministro das finanças durante 1 ano e responsável pela introdução da reforma monetária que criou o escudo.
A Casa Museu foi mandada construir por José Relvas, sob uma arquitectura conceptualista. Modernidade, imponência e orgulho do império português, foi a linha que Raul Lino seguiu para este projecto. A Casa dos Patudos, deve o seu nome aos grandes patos que existiam na zona, e a visita começa pela cozinha, a única divisão onde é permitido tirar fotografias. A cozinha com fogão a lenha feito à medida, bancadas em pedra e forrada a azulejo Viúva Lamego, com pinturas da flor de Liz. O hall com paredes revestidas a azulejos com pinturas de campinos. Salas, corredores, quartos repletos de obras de arte, obras de Rafael Bordalo Pinheiro; quadros do pintor oficial da família, José Malhoa; tapetes trabalhados em seda, do século XVIII; baixelas da Companhia das Índias; fotos de músicos; lustres de cristal francês; quadro de Scarlatti, único no mundo; obras em porcelana; jarrões japoneses; contador indo-português do século XVII; colecção Silva Porto e Columbano Bordalo Pinheiro; esculturas de Soares dos Reis; azulejaria do século XVI; serviços de Cantão; quadros da escola de Caravaggio e Da Vinci; busto de Molière; biblioteca com 8000 obras e o quadro preferido de Relvas " As abandonadas" de Constantino Fernandes, 1909; Vista Alegre; quadros de José Queiróz, Joaquim Lopes, José Mota, ...
Uma casa que em tudo deslumbra e que ao mesmo tempo, entristece, muito marcada pela maior infelicidade de todas, a morte dos seus 3 filhos. Uma vida de grande abundância, educação, cultura, mas ainda maior tristeza, e isso está bem demonstrado nos quadros, cores, luminosidade, presenças, ...
José Relvas faleceu aos 71 anos, na sua casa, deixando-a ao Município, assim como todo o seu recheio.
Uma tarde de muita cultura e partilha de conhecimento do nosso Mestre João Camacho, com direito ao nosso sempre delicioso lanche, desta junto à linda barragem dos Patudos.

Paula Trigo de Sousa, Docente
Discípula de João Camacho, Yôgachárya