PROGRAMA YÔGA EM FÉRIAS 2017 - QUINTA DA REGALEIRA

01-08-2017 11:47
PROGRAMA YÔGA EM FÉRIAS 2017 - QUINTA DA REGALEIRA
 
A Quinta da Regaleira, arquitectada por Luigi Manini para Carvalho Monteiro é constituída por um fabuloso palácio rodeado de lugares enigmáticos, jardins, grutas, lagos, a própria capela. Nesta Quinta todas as construções têm um significado, nada foi construído ao acaso. A arquitectura romântica, gótica, renascentista e manuelina evoca, neste espaço, significados alquímicos da Maçonaria e dos antigos Templários, a procura do divino está marcada em cada passo, para onde quer que olhemos encontramos relações simbólicas entre o divino e o profano, o mundo visível e o mundo invisível.
Terminámos o Programa Yôga em Férias com uma visita a esta Quinta filosofal, foi sem dúvida uma experiência inesquecível, graças à orientação do nosso querido Mestre João Camacho que nos alertou para as subtilezas do caminho. 
“Quem não sabe é como quem não vê” e à medida que fomos conhecendo um pouco da chamada linguagem dos pássaros, este ditado foi fazendo cada vez mais sentido. De facto quem não sabe passa pela mensagem sem ver que ela lá está, quem não conhece este tipo de comunicação, como tantos turistas que por ali passaram na mesma altura que nós, viu apenas a maravilhosa arquitectura do palácio e das construções envolventes, os fantásticos jardins, o escuro dos túneis, mas nós, guiados pelas sábias palavras do nosso mestre podemos dizer que vimos para além de tudo isso que só por si já é fantástico, mas que à luz da sabedoria ganha outro significado e ficamos realmente impressionados. Como as mensagens podem estar tão perto de nós, à frente dos nossos olhos sem que ninguém repare. 
Neste palácio saído de um conto de fadas os nossos sentidos ficam alerta, para o que vemos, para os cheiros da natureza, para os sons, para o toque da brisa tão característica da Serra de Sintra... Tudo se nos apresenta tão belo e nem desconfiamos do que vamos encontrar lá em baixo, no fundo. Como uma flor de lótus, como nós mesmos.
Superficialmente tudo permanece igual enquanto que, no fundo, nas profundezas do nosso próprio ser algo se transforma. Nos túneis labirínticos da gruta encontrei os meus demónios - são os medos que já conheço e com os quais vou aprendendo a lidar. Esses túneis, escuros como breu, transportam-nos para o confronto connosco mesmos, com a procura do nosso centro, são o labirinto do nosso próprio caminho que tantas vezes nos leva a becos sem saída, ao medo de estarmos perdidos, ao desespero de ficarmos sozinhos, de não encontrarmos o centro nem tão pouco o caminho para a saída. Aqui compreendi a importância dos sútra de que tantas vezes falamos. No escuro, quando me senti perdida e sozinha a voz da minha monitora dava-me segurança e guiava-me em direcção à saída da escuridão. Foi uma experiência simbólica, com tanto significado. Na realidade não é exactamente isso que acontece? Não foi a minha muito querida Professora Paula Trigo de Sousa quem me guiou pelo Yôga, me apresentou ao Mestre e me continua a orientar?
Entrámos mais que uma vez nos túneis, mas quando voltámos ao labirinto voltámos mais fortes, já conhecemos o caminho sentimo-nos mais confiantes. Mas não caiamos na ingenuidade de pensar que já conhecemos o labirinto. Haverão sempre caminhos que ainda não percorremos com desafios que ainda não imaginámos e sem o nosso fio de Ariadne ficaremos novamente perdidos no desespero.
O Poço iniciático é outro dos locais incontornáveis da Quinta da Regaleira, onde outrora se realizaram rituais de iniciação. Simboliza a morte do eu e o renascimento de um novo ser iluminado. Como sabemos, a iluminação requer uma descida aos infernos, a morte de tudo o que conhecemos e a tomada de consciência de que a realidade como a conhecíamos é uma ilusão, o desapegar das nossas crenças, de tudo o que tínhamos como verdadeiro, da nossa zona de conforto é doloroso e custa a ultrapassar. 
Aquela escadaria em espiral simboliza não só a descida aos infernos, ao nosso eu mais profundo, mas também o útero materno, um local que apesar de escuro nos é conhecido e é confortável, é onde nos sentimos seguros. A sua energia fez-se sentir e potencializada pelo mantra, iniciado pela Professora Anabela Duarte da Silva, que vocalizámos presenciámos um momento único em que alguns de nós não contendo a emoção e a explosão de energia deixaram que as lágrimas exprimissem o que estavam a sentir. 
O desconhecido é sempre uma incógnita, é preciso ter a coragem do leão para largarmos as nossas certezas e saltarmos para uma realidade que ainda não conhecemos. A chegada aos infernos queima, destrói, mas como uma Fénix renascemos das cinzas. 
Foi um dia muito bonito que ficará para recordar.
Fico grata por ter a felicidade aprender com o Mestre João Camacho, pois tenho-me vindo a aperceber que não aprendo somente técnicas específicas de Yôga. O Yôga é para a vida e a vertente cultural é muito importante no SwáSthya Yôga. Assim sendo o nosso Mestre não se limita à sala de prática, não limita o nosso saber, pelo contrário, há sempre uma visível tentativa de que saibamos mais, de ampliar a nossa consciência, um esforço para que a cultura faça parte da nossa vida. E nesse sentido, porque não queremos estagnar a nossa evolução nem limitar o nosso caminho, as visitas culturais são sempre tão importantes.
Terminámos o Yôga em Férias sem dúvida mais fortes, obrigada a todos os que participaram e fizeram este mês de Julho ser tão especial.
Muito obrigada Mestre.
Sádhika Rita Fernandes