II Festival de Yôga de Alcochete

28-06-2017 17:10

II FESTIVAL DE YÔGA DE ALCOCHETE

E o sol brilhou intensamente na 2.ª Edição do Festival de Yôga de Alcochete, participando activamente nesta festa de luz, cor, alegria, boas vibrações e muita, muita energia!
O local escolhido para o evento não poderia ter sido melhor, pela sua beleza, tranquilidade e por aquela sensação de liberdade proporcionada pela prática ao ar livre.
Observei a beleza nas pétalas das flores colocadas no local da prática, nos pássaros que voavam e cantavam, no espelho de água que refletia o azul do céu; e,
Na magia do movimento proporcionado pelas coreografias do SwáSthya Yôga, quais esculturas vivas brotando umas das outras (ásana), numa harmonia indescritível, que vem da força da vontade, conjugadas com aqueles gestos de carinho, pacificação e tolerância que transmitem a força e o amor entre amigos (mudrá).
Senti a tranquilidade que vem do contacto com as pessoais cordiais, simpáticas, elegantes, educadas, que evidenciam uma alegria sincera e contagiante; e,
Na brisa quente que soprou de mansinho, na meditação, ao entardecer;
E entrei no templo da paz que existe em cada um de nós (samyama) …
Recordei que o Yôga é, por definição, “qualquer metodologia estritamente prática que conduza a um estado de hiperconsciência e autoconhecimento”. É uma filosofia de vida. Filosofia prática. Significa união. Integração.
O SwáSthya Yôga é extremamente técnico, dinâmico e não adopta misticismo, o que agrada a pessoas dinâmicas, empreendedoras e de raciocínio lógico. E o que melhor estereotipa o Yôga é o ásana, a técnica corporal, exigente fisicamente e não só. A etapa seguinte. A prática de ásana foi ministrada em formato de coreografia à qual se seguiu aquele instante de tranquilidade, fora do tempo e do espaço e que leva à descontracção (yôganidrá).
Faço Yôga por prazer, impelida pelo mesmo sentimento que induz o artista a produzir a sua obra, expressando de forma natural o que está no seu íntimo. Para mim, caminho de liberdade e de evolução pessoal baseado no esforço pessoal, conhecimento adquirido, autodisciplina, experiência de vida e amadurecimento; e,
Consciente de que a liberdade é responsabilidade e que requer superação (espírito de guerreiro) e determinação (coragem de leão)!
E de uma proposta de liberdade falou-nos o nosso querido Mestre João Camacho, transmitindo-nos o entusiasmo pela prática de SwáSthya Yôga em forma coreográfica;
Sim, esse encadeamento harmonioso através dos ásanas que parece uma dança e apela à beleza mas que requer respiração coordenada acompanhada de uma atitude interior focada … e de uma música inspiradora!
E à medida que o praticante vai evoluindo na sua coreografia (obra), cumprindo as regras gerais de execução, colocando a sua atenção em cada área solicitada, aplicando imagens, cores e sons e desenvolvendo o seu profundo sentimento (bháva) está a construir o seu caminho para a libertação da condição humana (sofrimento);
Está a conquistar a liberdade! No palco da vida …
E nesse palco, escutámos o som subtil, potencializador, poderoso, numa interpretação magistral de diversos mantras pelo Coral Rajas Agni, sendo esta outra das ferramentas do Yôga Antigo. Mantra, que consiste na vocalização de sons e de ultrassons, é pura vibração que visa o desentupimento das nádís, meridianos por onde circula o prána no nosso corpo energético.
E sendo o SwáSthya Yôga uma prática extremamente completa, integrando oito partes: mudrá, pujá, mantra, pránáyáma, kryá, ásana, yôganidrá e samyama, impunha-se a realização de uma prática ortodoxa que espelhasse a sua principal característica. Prática que foi ministrada por um conjunto de pessoas especiais, felizes pela partilha do momento e unidas por um forte sentimento gregário.
E senti que participar de tudo isto, não é uma obrigação, mas uma satisfação.
O II Festival de Yôga de Alcochete terminou “em grande” com a realização da saudação ao sol, o Súrya namaskára, um dos mais antigos conjuntos de técnicas corporais do Yôga, sendo este o mais eloquente exemplo da existência de uma coreografia, e no meu entendimento, o ponto central deste evento e o meu foco de aprendizagem neste momento!
Pela seriedade, conhecimentos, espírito de partilha, exigência, simplicidade e alegria de quem dá, demonstrados ao longo da realização deste evento de divulgação do Yôga pelos responsáveis pela sua organização, aqui fica o meu sentido agradecimento.
Obrigada às pessoas que fazem as coisas acontecer: ao Mestre João Camacho; aos Professores Anabela Duarte Silva e Luís Lázaro; às Instrutoras Paula Trigo de Sousa, Ana Fina e Paula Santana.
SwáSthya!
Sádhika Dália Henrique dos Santos
Alcochete, 26 de Junho de 2017