DEPARTAMENTO DE YÔGACINE - Star Wars III – A Vingança dos Sith

29-01-2016 19:09


“Não é a altura, é o declive que me aterroriza.
O declive de onde o olhar se precipita para o fundo, enquanto a mão procura agarrar-se ao cume. E o coração é dominado pela vertigem desta dupla vontade.”
Nietzsche, Assim Falava Zaratustra, pág. 197, 16ª edição
É com esta dualidade, própria do indivíduo, que rebusco no desconhecido a melhor forma de descortinar o filme Star Wars III – A Vingança dos Sith, previsto para a sessão do YôgaCine deste mês.
Digo previsto, pois na sequência de várias condicionantes foi impossível ver. Mas, nem por isso menos relevante. Fica a memória da atenção aos pormenores, das limitações que nos assaltam a consciência e nos levam ao esquecimento e do raciocínio espontâneo quando necessitamos estar activos e presentes.
Para aqueles que já viram este filme ficou a responsabilidade da partilha de testemunho erróneo. Para os que ainda vão ver, a vontade e o desejo de o fazer brevemente.
Pois, em potencialidade, é a dimensão da mensagem ou o simbolismo adjacente que o fazem digno de uma sessão deste departamento. Entende-se que os filmes vistos, previstos e não vistos são-no pela sua importância, pelo conteúdo passível de cruzar com a via da filosofia que estudamos. Neste filme, relevamos e, tal como no anterior Círculo de Leitura, a temática da relação mestre/discípulo. Para mim, que ainda não o vi, só posso pressupor que a vontade em seguir um caminho tendencialmente errado para o personagem Lord Darth Vader, era inato, existindo desde sempre. E, que embora o seu percurso no lado do bem tenha existido, foi com as dificuldades e as provações a que foi sujeito que optou pelo caminho fácil mas duvidoso. Ainda assim, os códigos de ética, a disciplina e a conduta extremamente exigente, integram este caminho.
A abordagem inicial à dualidade no indivíduo é aquilo que se pretende contrariar com a prática do Yôga. Porém conscientes dessa dualidade pretendemos a união de si mesmo. E, tal como uma máxima índia, que diz que todos temos um lobo bom e um lobo mau dentro de nós, dependendo de qual alimentarmos assim agimos em conformidade.
Certa de que muito haverá por apreciar com o visionamento deste filme, sei que estarei alerta para os pormenores que o nosso querido Mestre João Camacho nos indicou e assim compreendê-lo com outro sentido. Obrigada!
SwáSthya!
Carmen Ezequiel, Sádhika
Directora dos Departamentos de YôgaCine e Círculo de Leitura
Espaço Cultural – Ashram Pashupati
Montijo