CURSO DE MEDITAÇÃO TEORIA E PRÁTICA PARA A LIBERTAÇÃO (DO DENSO AO SUBTIL)

06-02-2016 18:13
 
6/FEV/2016
“O Samádhi não pode ser vivenciado até ser criado um estado de não mente.
Todas as modificações do princípio de pensar têm de cessar; todas as formas de pensamento têm de ser removidas, porém algumas formas de consciência têm de permanecer.
Sem a experiência do Yôga é difícil imaginar o que se quer dizer.”
 
Theos Bernard
 
A citação acima, retirada da documentação de apoio a este curso, retrata a complexidade de expor por palavras, que são uma das ferramentas que a nossa mente tem para se expressar, para abordar algo que está para além dela própria. Seria como querermos usar um avião para viajarmos pelo espaço à descoberta de novos planetas. Mesmo usando toda a tecnologia de ponta para a construção aeronáutica, o melhor avião, mais fantástico, com a maior capacidade de voo que possamos imaginar, por maior altitude que conseguisse atingir, teria as suas limitações para prosseguir numa aventura daquelas.
E foi precisamente por esta problemática, inerente à nossa condição humana, que o nosso Querido Mestre João Camacho começou. Esclarecendo todos os presentes que iríamos estar uma tarde inteira a ouvi-lo falar sobre meditação e sairíamos sem saber o que era meditar. Questionando, com o humor que lhe é característico, se não seria melhor passarmos logo às maravilhosas iguarias que nos aguardavam em cima da mesa. Como ninguém se mostrou muito interessado nessa proposta, talvez por ainda estarem a fazer a digestão do almoço, o Mestre fez a vontade a todos e prosseguiu.
Para começar estamos a falar de uma técnica de Yôga conhecida por Dhyána, que conhecemos por meditação, e que, logo para início de conversa, significa precisamente o contrário daquela palavra em sânscrito. Para meditação encontramos no dicionário significados como: Pensar sobre; considerar; projectar. E não é que a técnica consiste precisamente no contrário! Na paragem do pensamento!
Parar o pensamento? Então mas não é esta a maior faculdade de um ser humano? Que motivo nos leva a querer parar o pensamento? Parar as ondas mentais? A resposta é que dessa forma criamos condições para o acesso aos canais intuicionais e ao princípio da consciência – Mónada. Que é como quem diz, poeticamente falando, conseguir ver o diamante que se encontra no fundo do lago. Só possível de se fazer se não houver ondulação à superfície. E aqui, entenda-se, as ondulações da mente provocadas pelo incessante pensamento.
E qual é a importância disso? É o acesso à matriz universal, ao fundamento de tudo, e, como não podia deixar de ser, ao conhecimento de nós próprios. Um acesso ao canal intuicional de forma linear e não como um flash que temos uma e outra vez sem saber explicar como aconteceu. Um fenómeno que nós trabalhamos com método, disciplinadamente, com um fim, educando os nossos neurónios para um modo diferente de funcionar, sabendo muito bem qual o resultado, qual a meta a alcançar, com conhecimento e controlo do que estamos a fazer e o fim a que se destina.
Lembrando que o princípio da acção está junto com a intuição – “caminham” juntos. Se podemos ter acesso a isso, porquê não usar? Se podemos ter acesso ao conhecimento directo, porquê não aceder?
Àqueles a quem tudo isto faz sentido. E porventura se torna na sua razão de ser. Há um caminho a percorrer. Um caminho técnico, metodológico e disciplinado. Que, como qualquer jornada, começa sempre com um primeiro passo. Que deve encher de força e orgulho todos os que estão a começar, pois é uma decisão corajosa que tomaram. Que lhes vai transformar por completo e de forma radical as próprias vidas, pois ainda que exteriormente nada mude, ainda que todos à nossa volta continuem a achar que temos os mesmos empregos e que cumprimos as mesmas rotinas, a verdade é que a consciência vai expandindo e o autoconhecimento vai-se revelando. Mesmo que seja difícil explicar por palavras, o facto é que as técnicas funcionam e através da sua prática diária e disciplinada tudo se vai mostrando mais claro à nossa compreensão. E isto muda tudo na nossa vida. Mas a essa conclusão lá chegarão, ou não!
Aos outros, a quem tudo isto tanto faz ou não faz sentido algum, sugerimos que não percam tempo com nada disto, dediquem-se à pesca ou outra coisa qualquer, procurem algo que os satisfaça e sejam muito felizes!
As técnicas, ou, se quisermos usar uma linguagem mais poética, as chaves de acesso a esse tesouro incomensurável, ou seja, tudo aquilo que nos ocupou uma tarde inteira até ser noite sem sequer darmos por isso, nem as vamos abordar neste resumo, pois só mesmo aprendidas directamente através de um Mestre. A nós que o encontrámos, agradecemos e esperamos conseguir responder às suas expectativas. Aos que possam estar a ler este resumo e ainda não tenham tido a “sorte” de encontrar o seu, deixamos a ideia que aparece aqui e acolá nas escrituras mais antigas: “Quando o discípulo se encontra preparado o Mestre aparece”.
 
SwáSthya!
 
Luís Lázaro, Instrutor de SwáSthya Yôga
Discípulo de João Camacho
Espaço Cultural Natarája