Círculo de leitura

08-09-2016 00:57
Reunião de Departamento de Mantra | 2 de Setembro de 2016
Na passada sexta-feira, teve lugar (como em todas as primeiras sextas-feiras do mês) a reunião de Departamento de Mantra. Esta reunião teve especial singularidade, pois marcou o início de época/ano letivo. As orientações do Mestre João Camacho foram diversas, assim como o diálogo aberto sobre o caminho a seguir, onde alguns de nós fizeram algumas propostas para enriquecer/potenciar o trabalho que já é desenvolvido.
Porque foram preciosos, fica aqui o registo de alguns pontos que o Mestre com a subtileza/sensibilidade que lhe é particular, firmou:
- A necessidade de planificar. Planificar o quê? Planificar não só onde queremos chegar, mas onde queremos que os nossos alunos cheguem. Para nós, no ponto em que estamos; para os nossos alunos no ponto em que cada um está. Não há seriedade no improviso puro, por melhor que este seja. Não há consequência e frutos reais. Onde queremos estar em Dezembro, neste momento em que preparamos/fortalecemos as raízes. Onde queremos estar na Primavera? Quando as sementes do que plantámos desabrocham vibrantes. Onde queremos estar em Julho? A altura de recolher os frutos, que representa não só o final de época para todos e onde instrutores, professores e candidatos a instrutores prestam anualmente as suas provas. E é suposto cumprirmos exatamente o que planificámos? Bom... A Planificação é uma linha orientadora. Necessária, mas tão só e apenas o fio condutor (e que muitas vezes temos de reformular, reinventar, transformar numa outra coisa que melhor sirva cada uma das etapas). Não cumprir com um objetivo, não é sinónimo de fracasso. Às vezes é mesmo necessário substituir um objetivo por outro (sendo que cada um deles tem de ser tangível em si mesmo). Mas para chegar a essa conclusão pois... apenas com abyása (prática diligente) e tapas (disciplina) teremos consciência real dessa necessidade, bem como com a necessária capacidade de auto-superação em cada momento.
- A questão da aprendizagem. Aprender não é apenas compreender. É a capacidade de memorizar. Mas também não é apenas a capacidade de memorizar. Aprender é ser capaz de compreender, memorizar e em consequência e mais importante, ser capaz de alterar comportamentos, de quebrar padrões que já não nos servem e portanto, não servem a meta do Yôga. Yôga é por definição união/integração Segundo Shri DeRose " Yôga é toda a metologia estritamente prática que conduz ao sámadhi". Ora, não há outro meio para colocar em ação a urdidura entre técnicas e conceitos que o SwáSthya Yôga porporciona que o da prática. Não basta compreender, não basta memorizar. Aprender é colocar em acção, é alterar comportamentos potenciando o almejado estado de consciência expandida, ou - segundo Patñjali "A cessação dos turbilhões da consciência".
- Entre outros vídeos que o Mestre nos mostrou, refiro um particular que creio que nos tocou a todos pela sua mensagem. Um vídeo da música "Andante, Andante" dos ABBA. E não é a primeira vez que o Mestre João Camacho refere o poema interpretado nesta canção. No seu livro, "O sono de Ganêsha. O poder adormecido" (pág. 15), consta um texto precisamente sobre ele. O título é "O artístico a um passo do intuicional" e transcrevo de seguida um excerto do mesmo: "Ao mexer na papelada "antiga", antes de me dedicar aos assuntos "novos", encontrei um poema, que é de uma música dos ABBA. O poema é muito tântrico, muito terno, com muito amor. Ser tântrico significa também apreciar a arte, a beleza, e sabermos, aprendermos ou reaprendermos, muitas vezes, a deixar que a emoção nos preencha e nos comova, na presença da arte, da poesia. É uma canção tântrica." Para além desta observação, o Mestre referiu as palavras que constam do Yôga Sútra de Patañjali (Capítulo I, versículo 33): "A serenidade da consciência é obtida mediante o cultivo da amizade, compaixão, alegria e indiferença, respetivamente aos que são felizes, infelizes, bons e maus". Pois sejamos doces e ternos para os que nos são próximos, são nossos amigos e nos querem bem. Tratemos como queremos ser tratados.
E foi apenas apenas isto a reunião de Departamento de Mantra, onde não vocalizámos Mantra? Se tivesse sido, já teria sido de uma riqueza enorme para todos nós. Mas não foi. Efetivamente houve planeamento e relativo ao trabalho a desenvolver pelo Coral Rajas Agni. Na calha novo repertório, as linhas mestras da preparação do Festival de Coros organizado anualmente pelo Espaço Cultural Ashram Pashupati no Museu de São Miguel de Odrinhas (Sintra), e o fio condutor daquele que é o crescimento/consolidação do trabalho que o Coral Rajas Agni desenvolve e claro, pretende desenvolver.
Uma reunião extraordinária pois! Por tudo o que foi dito, por tudo o que foi sentido e claro, pela alegria da partilha/reencontro depois de uma merecida pausa para férias.
Obrigada Mestre, pela mestria na condução destes e de tantos outros momentos que consigo temos oportunidade de partilhar. É mesmo muito bom!
SwáSthya,
Paula Santana, Graduada
Discípula de João Camacho