Batalha

31-07-2019 16:50

Yôga em Férias 2019: Visita à Batalha.

Integrado no Programa Yôga em Férias e sob a orientação do Mestre João Camacho visitámos o Mosteiro da Batalha e o campo militar de S. Jorge, onde, Portugueses e Castelhanos travaram uma das mais importantes batalhas da história de Portugal.

A Batalha de Aljubarrota foi assim o objeto de estudo desta visita cultural, onde fomos desvendar o caminho de Marte, o caminho do domínio (da batalha) que o Guerreiro da Luz deve percorrer a exemplo desse ser excecional, D. Nuno Álvares Pereira, Condestável do reino de Portugal, que galvanizou os portugueses de forma a resistirem ao invasor e que Fernando Pessoa cantou em sua memória “Que auréola te cerca? É a espada que, volteando, faz que o ar alto perca seu azul negro e brando. Mas que espada é que, erguida, faz esse halo no céu? É Excalibur, a ungida, que o Rei Artur te deu. Esperança consumada, S. Portugal em ser, ergue a luz da tua espada para a estrada ver!”

Aljubarrota permitiu a afirmação de Portugal como reino independente e tornou possível o início de uma das épocas mais grandiosas da história de Portugal: os Descobrimentos!

Falar de Aljubarrota é abordar mais do que um confronto bélico travado entre duas nações, no dia 14 de agosto de 1835, durante o qual o exército português desbaratou um inimigo poderoso, cujos efetivos ascendiam a mais do triplo dos nossos. A inferioridade numérica pode ter sido compensada pelo cuidadoso dispositivo das forças que lhe deu o Condestável, mas a vitória deveu-se principalmente à força da vontade, à coragem de leão e à energia gerada pela rivalidade que brota do inflamado patriotismo dos combatentes, esse grupo de jovens a constituírem a hoste portuguesa vitoriosa, comandada na retaguarda pelo Rei e na vanguarda por D. Nuno Álvares Cabral. Isto é movimento agressivo, do interior para o exterior. Este é o poder do amor à liberdade! A vitória no caminho do domínio requer conhecimento mas também força! Extroversão e entusiasmo. Audácia, ímpeto … e também sorte! E assim também é no Yôga: determinação e superação associada a uma prática que conduz a um estado de hiperconsciência e autoconhecimento. À medida que o praticante

vai evoluindo na sua coreografia (obra/batalha), está a lutar com os seus demónios e está a construir o seu caminho para a libertação da condição humana.

Como a batalha foi travada no dia de Nossa Senhora, D. João I (Mestre de Avis) mandou erguer o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, que ficou para a história como um marco da refundação da nacionalidade portuguesa. Mas a magnificência do edificado é mais do que a expressão da vitória bélica através da pedra, encerrando múltiplos significados e mensagens que só o iniciado consegue decifrar. Desde logo, o apelo do gótico que nos impele a olhar para cima. O caminho da iniciação leva à ascese da consciência.

E a partir daqui, a linguagem dos pássaros esculpida na pedra, toda a referência abundante à capacidade de renascimento do iniciado, à capacidade de arrancar do coração, à procura do centro, transmutação, equilíbrio físico e das emoções e a trama do tecido como fonte de conhecimento. Numa palavra: transformação!! No Yôga, falamos do despertar da Kundalini.

E o espirito da nacionalidade manifestou a sua alegria pela nossa presença ao fazer-se representar pela pomba branca que serenamente pousou junto ao ponto de água (lavabo) no Claustro de D. João I …Sim,

É esta a chave que abre a porta dos mistérios, dos segredos iniciáticos, que majestosamente percorrendo o caminho do Sol vem prognosticar a Idade do Espirito Santo e a chegada dessa energia transformadora e benéfica a agir através dos portugueses. Unir o Oriente e o Ocidente para encontrar a essência da humanidade, uma missão verdadeiramente templária e universalista. Também o Yôga significa união. Integração de todas as partes. Também o Yôga visa um ideal superior.

E aqui chegados, às capelas imperfeitas, como a coroar tamanha empresa, fomos brindados com um recital de canto polifónico, com as vozes a chegarem-nos de oito locais diferentes, como que a celebrar a alegria da evolução! Também o Yôga é caminho de evolução pessoal, de alegria e prazer, integrando a sua prática ortodoxa oito partes: mudrá, pujá, mantra, pránáyáma, kryá, ásana, yôganidrá e samyama rumo a um estado de consciência expandida. Rumo ao infinito.

E da capacidade de realizar, de agir pelo domínio falou-nos o nosso querido Mestre João Camacho. Essa capacidade que implica vitalidade, capacidade de iniciativa e bravura. Este é o caminho do domínio, o caminho por Marte, representa a relação agressiva entre o interior e o exterior. O iniciado precisa da força guerreira no caminho para o conhecimento superior. É simultaneamente, caminho de paixão e também de violência, caminho de morte e acima de tudo … caminho de luz e, também, de liberdade!

Não existem limites à força de um Guerreiro da Luz!

Agradeço ao Mestre João Camacho a partilha de conhecimentos e a todos os membros desta egrégora a partilha de uma experiência tão enriquecedora e maravilhosa.

SwáSthya!

Sádhika Dália Henrique dos Santos

Alcochete, 25 de julho de 2019