ÁSHTAKA VIII Tantra – filosofia poética

26-02-2018 16:31

ÁSHTAKA VIII
Tantra – filosofia poética

O Áshtaka é o nosso grande evento anual, o octógono de Inverno, um momento de estudo e reflexão sobre temas relacionados com o Yôga. O tema deste ano foi o Tantra – filosofia poética. Este é um evento tão importante pois também é a altura em que comemoramos o aniversário de Shri DeRose, Mestre do nosso querido Mestre João Camacho e codificador do SwáSthya Yôga.
Abrimos da melhor maneira com a apresentação do Coral Rajas Ágni. Seguiram-se as conferências de exame das Professoras Anabela Duarte da Silva e Paula Trigo de Sousa com dois excelentes temas: A Deusa. Dualismo e Cosmogonia e Yôganidrá, o descanso do guerreiro respectivamente. Ficámos a saber mais sobre o papel feminino na criação e o seu simbolismo na filosofia tântrica, simbologia essa expressa, como bem sabemos, em lendas e mitos da mitologia hindu, assim como o mantra se revelou ainda mais importante do que o que já sabíamos ser. Com a sua conferência a Prof. Anabela mostrou-nos que o mantra que fazemos em muitas das nossas aulas é o próprio corpo vibracional da Shaktí, fez-nos ver como a nossa prática é profunda. O mesmo aconteceu em relação ao anga yôganidrá com a conferência da Prof. Paula Trigo de Sousa, o yôganidrá é muito mais do que relaxação e neste Áshtaka pudemos esclarecer vários conceitos subjacentes a este tema que podiam gerar confusão, ficámos então a compreender melhor o que é o yôganidrá, o porquê de ser o 7º anga e quais os seus efeitos. O yôganidrá ao contrário do que possa parecer é uma prática onde devemos estar hiperlúcidos e conscientes facilitando assim o anga seguinte, o Samyama.
Durante o Áshtaka VIII teve ainda lugar a apresentação da minha coreografia de ásana e mudrá bem como a da Graduada Tânia Ferreira. Um momento muito especial e para mim uma nova experiência da qual guardarei boas recordações, não só pela actuação em sim, mas por toda a preparação, entreajuda e apoio de todos os que estão também neste caminho maravilhoso que é o Yôga. Sem dúvida uma experiência para repetir.
Para terminarmos com chave de ouro tivemos a conferência do meu querido Mestre João Camacho que mais uma vez nos brindou com a sua sabedoria com o tema "A Deusa e as suas manifestações". Esta conferência é a segunda parte de um trabalho conjunto com a Professora Anabela Duarte da Silva e vem no seguimento da sua conferência de exame anteriormente apresentada neste mesmo evento. Aprofundando agora as diferentes formas de manifestação da Shaktí, sejam elas em forma de plantas, animais ou humanas e as referências ao culto do feminino nas mais variadas representações, como por exemplo o do machado de duas laminas que representa Parvatí. É símbolo das guerreiras, tanto a oriente como a ocidente.
Deixo apenas o exemplo do labirinto por ser o que mais me toca, o labirinto visto nesta perspectiva representa o retorno ao ventre materno a partir de onde o iniciado renasce como um homem novo e de consciência superior. O simbolismo da mãe será sempre uma figura forte e neste caso, mais uma vez é a partir da mãe que voltamos a nascer, tal como é a mãe a grande iniciadora. Mas o labirinto é também símbolo do caminho que kundaliní shaktí terá de fazer pelas nadí até chegar ao sahásrara chakra onde se unirá novamente a Shiva. Por outras palavras, o ascender da energia de polaridade negativa, logo feminina, até ao Brahmarandra local no topo da cabeça onde se unirá ao princípio de polaridade positiva e portanto masculina, eliminando assim a ilusão da dualidade dos contrários levando-nos ao Samadhi, o objectivo do Yôga.
Percebemos pois, a grande importância da Shaktí para o tantrismo, a filosofia comportamental da nossa ancestral linhagem de Yôga. Afinal é quando Shaktí inicia o seu movimento e se manifesta que dá origem a tudo o que existe é a grande mãe, é a energia criadora presente em tudo, mesmo em expressões de aparência masculina, tal como o Mestre referiu: Vishnu, Krishna, Rama, Ganesha e Surya. A magnitude de Shaktí é expressa na máxima do tantrismo que tão bem conhecemos “Shiva sem Shaktí é Shava”, quês isto dizer que Shiva, o princípio da consciência, o guerreiro, o destruídor, um dos principais Deuses da trindade Hindu, sem Shaktí é apenas um cadáver, um corpo sem vida.
Um evento muito proveitoso tanto do ponto de vista da aprendizagem como da alegria e amizade entre todos.
Quero agradecer a todos os que estiveram presentes e um especial agradecimento aos conferencistas, Mestre João Camacho, Professora Anabela Duarte da Silva e Professora Paula Trigo de Sousa que através dos seus trabalhos nos passaram tanto conhecimento. Aproveito também para dar os parabéns às duas professoras por mais uma etapa concluída com sucesso.

Chêla Rita Fernandes, discípula do Mestre João Camacho